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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

The Clash II - Patriots of the Wasteland (10/02/1984)

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Qual foi o ultimo disco do Clash? A maioria irá dizer "Combat Rock", de 82. E quando o Clash acabou? Em geral, há dificuldade de se responder essa pergunta. Tudo isso por causa da saída do Mick Jones em 83, quando todos consideram que o Clash acabou.

O último disco do Clash foi o "Cut the Crap", em 85; e a banda acabou em 86. Após serem a maior banda do mundo em 82 - a abertura do show do Who naquele ano funcionou como uma espécie de "coroação" -, o baterista Topper é demitido e o maior responsável pela parte musical, Mick Jones, levou cartão vermelho pouco depois. Aquele Clash que o mundo aprendeu a gostar, acabou. E Joe Strummer resolve voltar com um novo, completamente diferente, que ficou conhecido como Clash II.

Para começar, mais dois guitarristas jovens e sem a bagagem glam de Mick. Na bateria, um outro garoto extremamente técnico, mas sem a versatilidade Topper.

Joe queria voltar ao Clash de 76. E estava conseguindo.

Músicas como "Three Card Trick" e "Ammunition" faziam aqueles que continuavam a seguir a banda perguntar: "who the is hell is Mick?". E Strummer, sempre provocativo, incendiava a platéia sugerindo que os pró-Mick e os contra deveriam brigar para verem quem tinha a razão.

Ah, Joe...

E as músicas que iriam fazer parte do novo disco do Clash estavam ficando cada vez melhores: "Glue Zombie", Pouring Rain", "Sex Mad War". A banda volta às canções-slogans até que um certo Bernie Rhodes volta à ativa.

Bernard (Bernie) Rhodes, para quem não conhece, era amigo de Malcolm McLaren. Alguns diziam que era um discípulo. O fato era que, enquanto Malcolm partiu para empresariar os Sex Pistols, Bernie Rhodes foi tomar conta do Clash. Entretanto, assim como o seu amigo, ele exagerava um pouco e foi demitido.

Ele também empresariava os Specials, embora não tenha ficado muito tempo. Entretanto, foi o suficiente para ser homenageado com uma música ("Gangsters", primeiro single da banda) que tinha o refrão de "Bernie Rhodes sabe/não discuta!.

Recontratado pelo Clash na década de 80 para que eles pudessem voltar a ser uma banda, Bernie falha e vê o grupo desintegrar-se. No Clash II, limita-se a ser um empresário, até que chega a hora de gravar o "Cut the Crap".

A partir daí, ninguém mais sabe o que aconteceu. Chris Knowles, biógrafo da banda e, para mim, quem melhor a entendeu (e quem, acredito eu, me fez ter vontade de estudar jornalismo), tem a seguinte teoria:

- O disco é de Bernie Rhodes. Ao comparar as versões ao vivo dos bootlegs com as que foram lançadas, você não acredita no que fizeram. Para mim, Joe já sabia que a banda já tinha acabado e simplesmente deixou Bernie Rhodes acabar o disco, tanto é que, alguns anos depois, ele deu algumas entrevistas lamentando ter dado esse disco ao mundo.

E é bom lembrar que Paul só chegou a gravar duas faixas.

A verdade é que Bernie escreveu várias das músicas. E, provavelmente, o fez sozinho no caso daquelas que não tinham sido tocadas em 84-85.

Se você tem o "Cut the Crap", apague as músicas da sua cabeça e ouça esse disco. Se você não tem, ouça e saiba que o Clash ainda poderia ter sido a maior banda do mundo por muito mais tempo.

Aliás, ela ainda é.

Abaixo, tem um clipe com imagens doJoe Strummer com o áudio de uma versão ao vivo de "Three Card Trick". Ignorem as imagens



Link: The_Clash II - Patriots of the Wasteland

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

The Damned - Radio One Sessions

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Músicos bons, para mim, são aqueles que fazem a música que eu gosto. Se o objetivo de um músico é compor para agradar os outros, por que raios eu sou obrigado a considerar que fulano é bom se eu acho a música dele uma porcaria?

Por isso, eu sempre achei sem sentido essas votações, debates e conversas sobre o melhor instrumentista. Embora técnica seja importante, fundamental é a cultura musical, o quanto a pessoa acumulou de conhecimento sobre música para compor.

Músicos com técnica e sem cultura irão reproduzir.

Músicos sem técnica e com cultura vão inventar um jeito de fazer algo. Pode ser um lixo, mas será algo diferente.

O que me leva ao Damned, objeto deste post. Embora a banda tenha quase sempre girado em torno do figura do vocalista Dave Vanian (único presente em todas as formações), para mim, não houve ninguém mais importante do que o Captain Sensible, uma das figuras mais carismáticas a surgir da geração do Punk.

Mais um de Londres formado em artes, Captain Sensible formou o Damned com o baterista Rat Scabies. Inicialmente, tocava baixo e pouco escrevia, tarefa que cabia ao guitarrista Brian James. Após serem a segunda banda a terminar as atividades em 78, depois dos Pistols), foram a primeira a voltar ainda no final do ano sem o guitarrista Brian James, que desejava ser o único compositor da banda.

Aí, sim, a banda pode mostrar todo o seu talento. Com Sensible passando para a guitarra, podemos ouvir riffs memoráveis como o do refrão de "Plan 9 Channel 7" que consegue ficar ainda melhor no disco que acompanha esse post.

Rat Scabies, baterista que muitos consideram o sucessor de Keith Moon, até pela personalidade, solta-se e larga o estilo "pré-hardcore" dos primeiros discos.

O vocalista Dave Vanian, ex-coveiro que vestia-se de vampiro nos shows (constratando e muito com as roupas espalhafatosas de Sensible), acentua ainda mais o estilo voz rouca à la Elvis.

Em pouco tempo gravaram o "Machine Gun Etiquette", que é representado aqui com "I Just Can't Be Happy Today", "Plan 9 Channel 7", "Noise, Noise, Noise", "Liar" e o hino "Smash it Up" (essa foi descrita por John Peel assim: "deveria ser o novo hino da Inglaterra". Sensible a repete nessa gravação).

Embora tenha tido uma carreira solo de relativo sucesso nos anos 80 na Inglaterra, Captain Sensible (e Rat Scabies) sempre foi esquecido quando lembram dos grandes guitarristas, inclusive quando a discussão é restrita ao Punk. Talvez o Damned ainda estejaa pagando o preço por ter abandonado a turnê com os Pistols e o Clash em 76.

"I don't even care if I look a mess
Don't wanna be a sucker like all the rest"
("Smash it Up")

Segue um vídeo do Damned tocando "Smash it Up" e "I Just Can't be Happy Today" em 1979, no Old Grey Whistle Test.



Link: The Damned - Radio One Sessions
 

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